Conversas, rearranjo e fósseis

31/05 - 07/06/2014

 

Pedro Maia / Escoro-Tatuí, 2014 / Objetos achados, galhos, panos, papel, plástico, madeira, pregos, baterias, lâmpadas de led, mãos francesas, parafusos, metal, fita adesiva, canos, livros, pedras, pintura com latex e spray / Dimensões variáveis

press to zoom

André Sztutman / Epigrama I e II, 2014 / Acrílica sobre livros / 16 x 20 x 13 cm e 17 x 20 x 14 cm

press to zoom

Pedro Maia / Escoro-Tatuí, 2014 (detalhe) / Objetos achados, galhos, panos, papel, plástico, madeira, pregos, baterias, lâmpadas de led, mãos francesas, parafusos, metal, fita adesiva, canos, livros, pedras, pintura com latex e spray / Dimensões variáveis

press to zoom

Pedro Maia / Escoro-Tatuí, 2014 / Objetos achados, galhos, panos, papel, plástico, madeira, pregos, baterias, lâmpadas de led, mãos francesas, parafusos, metal, fita adesiva, canos, livros, pedras, pintura com latex e spray / Dimensões variáveis

press to zoom
1/6
André Sztutman
Bhagavan-David
Pedro Maia
Lucas Rehnman
Thiago Nassif

Conversas, rearranjo e fósseis é um cruzamento de percursos pessoais num mesmo lugar – abrigo, local de ofício e, mais tarde, material e suporte. Não parte, portanto, de condições e regras pré-definidas ou da intenção de exibir o que já existia. Este projeto é baseado em uma vontade distinta: experimentar o conviver, permitindo o espontâneo e respeitando o acaso. Trata-se, antes de mais nada, de uma tentativa contínua, conduzida por uma grande incerteza e pelo diálogo com esta incerteza.

Durante o período de um mês, frequentamos essa situação com intensidade. Em uma casa que em breve deixará de existir em favor de uma nova construção, esta exposição instalou-se por meio de uma ação que negocia de forma franca e direta com o contexto imediato. Opera assim movimentos sutis em uma mesma direção – que às vezes revela e em outras dá outra forma. É possível pensar em uma arqueologia do presente, que descobre e registra ao passo que inventa e intervém. Os trabalhos que daí nascem organizam ideias, encontram paisagens e registram experiências; mas também unem objetos, deslocam figuras, e sugerem novos significados para os achados no caminho. Nesse sentido, não são apenas pontos de chegada, mas também resíduos de práticas e de troca.

É nesse terreno, semeado pela conversa – assumida em suas diferentes formas e possibilidades e tomada como um suporte legítimo para o fazer artístico -, que dispositivos são reinventados; criam-se lugares; objetos pessoais e pensamentos se organizam em diagrama; livros obsoletos viram pinturas; e elementos encontrados e reconfigurados compõem uma cenografia precisa. Em comum, estas obras surgem de uma tensão em que a sensibilidade à vida cotidiana e seus corpos alinha-se com a dimensão imaterial de cada coisa, cada canto. Há então um rearranjo do espaço, que sem estar a salvo da ação futura de corretores e tratores, pode, contudo, resistir em outros planos.

Germano Dushá, curador.