Estado de Suspensão

15/06 - 15/07/2014

 

Deyson Gilbert / faixa-PROUN 15+20+15 (OTO) [Opacidade Transitiva para Ocupação], 2014 / Ação-intervenção na reedição de cinquenta anos da Marcha da Família com Deus pela Liberdade em São Paulo

Deyson Gilbert / faixa-PROUN 15+20+15 (OTO) [Opacidade Transitiva para Ocupação], 2014 / Ação-intervenção na reedição de cinquenta anos da Marcha da Família com Deus pela Liberdade em São Paulo

Matheus Rocha Pitta / Fundo Falso #3 (soro), 2014 / Plástico, vinho branco, leite, madeira, tinta acrílica / Dimensões variáveis

Deyson Gilbert / faixa-PROUN 15+20+15 (OTO) [Opacidade Transitiva para Ocupação], 2014 / Ação-intervenção na reedição de cinquenta anos da Marcha da Família com Deus pela Liberdade em São Paulo

1/7
Cinthia Marcelle e Tiago Mata Machado
Deyson Gilbert
Janaina Wagner
Jorge Menna Barreto e Traplev
Lenora de Barros
Matheus Rocha Pitta
Nicolás Robbio
Ricardo Carioba

São Paulo, 12 de junho de 2014.

 

Enquanto escreve-se este texto há uma incessante situação de barulho por todo lugar. Buzinas, cornetas, batuques e gritos se somam aos já habituais ruídos de uma cidade acostumada à agitação. Em paralelo, o noticiário esportivo e seus desdobramentos inundam as mídias de comunicação. No pequeno espaço restante, fala-se sobre diferentes confrontos entre manifestantes e a força policial. É possível assumir hoje – e os próximos dias – como o auge de um longo período marcado pela incerteza sobre o futuro próximo e permeado por uma angústia generalizada.

Alinhada em imediato com o contexto em que insere-se a mostra “Estado de Suspensão” é sobre agora. Entre meses protagonizados por eventos de massa de repercussão global, grandes construções – algumas não realizadas e outras concluídas sob o risco do provisório -, operações de grandes cifras, passeatas, greves e batalhas ideológicas num processo pré-eleitoral, trata do instante em que se especula o que pode ou não acontecer.

Ao reunir trabalhos que apercebem-se da obscuridade de nosso tempo, propõe um ambiente que recria, evidencia, potencializa e discute suas tensões. Atentos às implicações desses movimentos, em uma época em que tudo se registra e os olhares do mundo se voltam para as grandes transmissões, os artistas convidados se valem do vídeo – em seus diferentes desdobramentos – e de outras estratégias para explorar a fragilidade deste estado transitório caracterizado por uma sempre conturbada expectativa.

Indo além, busca-se aqui superar o presente para se inclinar sobre o lapso que o separa do amanhã. Posicionando-se no limiar inapreensível entre o que ainda vai ser e o que já foi, evita-se cegar pelo evidente ou suturar o dissenso, preferindo as entrelinhas em detrimento do explícito. No sentido de apontar o carregado desconforto social em que nos encontramos, inventa-se, articula-se, expande-se, inverte-se, ausenta-se e desmancha-se a imagem.

 

Fernando Ticoulat e Germano Dushá, curadores.