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Som sobre nada

02/08 - 16/08/2014

 

Bruno Palazzo

Vivemos envelopados por um constante ruído. Nas cidades temos o barulho do trânsito e dos cachorros do vizinho. No campo, o da corrente do rio e o farfalhar do vento. Este eterno zumbido é o pano de fundo de nossa existência. Não o ouvimos, para nós ele é nada. Mas este nada é tudo menos vazio. Se todo som com significado – música, palavra falada – é som emitido de maneira organizada, então o ruído do mundo significa a possibilidade para todos os predicados. Nele reside o universal, o material genético de tudo.

O trabalho de Bruno Palazzo é circular e impessoal. Circular pois não sugere linearidade, sucessão ou direcionamento temporal. Impessoal pois, como na instalação Fotos Sobre Nada/Som Sobre Nada, o artista nada criou, apenas rearranjou objetos encontrados. Não há uma intenção pré-determinada. Inexiste uma narrativa, um começo, meio e fim, apenas um fluxo que não exige uma resposta crítica. E neste exercício, significados do nosso cotidiano são subtraídos para nos lançar em direção ao nada.

Em Drone para Rádio Cultura FM, o ambiente criado pelo artista a partir da apropriação de transmissão de rádio provoca a quebra com nossa tradicional relação frontal com obras de arte. Este aspecto, presente em muitas de suas obras, desafia a hegemonia do olhar e do visual deslocando nossa atenção de um ponto fixo para o contexto circundante. Assim, os trabalhos expostos se tornam imersivos, e só se realizam diante do espectador. Esta abordagem propõe uma equivalência entre linguagens e aspira uma reciprocidade entre obra e indivíduo, suscitando uma relação vaga e instintiva entre ambos.

Ao reunir dispositivos eletrônicos, processadores sonoros, objetos encontrados e o som captado no ar, o artista promove uma fusão entre fenômenos aurais e físicos, investigando a possibilidade de uma estética unificada. A combinação dos traços constitutivos dos três elementos – sonoro, físico e subjetivo – formam um todo coerente que nos empurra para dentro de nosso labirinto de sentidos. Essa experiência sensória, corporal, desestabiliza nossa percepção cartesiana e nos permite um contato mais íntimo com nossa própria subjetividade.

 

Fernando Ticoulat, curador.